O ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes das Dores de Souza, voltou a ser preso na noite desta quinta-feira (7), em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, após passar cerca de dois meses foragido da Justiça.
Bruno era considerado foragido desde março deste ano, quando a Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro revogou o benefício do livramento condicional concedido ao ex-atleta, condenado pelo homicídio de Eliza Samudio.
Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a decisão foi tomada após o ex-goleiro descumprir uma das condições impostas para permanecer em liberdade: a proibição de deixar o estado sem autorização judicial prévia.
De acordo com o processo, Bruno viajou ao Acre no dia 15 de fevereiro, apenas quatro dias após obter o livramento condicional. A viagem ocorreu em meio ao seu retorno ao futebol profissional pelo Vasco-AC.
O livramento condicional, também chamado popularmente de liberdade condicional, é um benefício previsto no Código Penal que permite ao condenado deixar a prisão antes do fim total da pena, desde que cumpra uma série de regras determinadas pela Justiça.
A medida funciona como a etapa final da execução penal e autoriza o retorno gradual do preso ao convívio social, sob condições específicas, como comparecimento periódico à Justiça e restrições de deslocamento.
Na decisão que revogou o benefício, o juiz Rafael Estrela Nóbrega afirmou que a saída do Rio de Janeiro sem autorização representou descumprimento direto das condições impostas pela Justiça. O magistrado determinou, então, a expedição de um mandado de prisão com validade de 16 anos.
Desde então, Bruno passou a constar em cartazes de procurados divulgados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.
A nova prisão ocorreu após troca de informações entre a Polícia Militar do Rio de Janeiro e a Polícia Militar de Minas Gerais. Segundo a corporação fluminense, Bruno não ofereceu resistência durante a abordagem e colaborou com os agentes.
Após ser localizado, o ex-goleiro foi encaminhado à 125ª DP (São Pedro da Aldeia) para cumprimento do mandado de prisão. A ocorrência foi posteriormente transferida para a 127ª DP (Armação dos Búzios).
Relembre o caso
A condenação de Bruno está ligada ao assassinato de Eliza Samudio, um dos crimes de maior repercussão do país nos últimos anos.
Eliza, atriz e modelo paranaense, desapareceu em junho de 2010. Embora o corpo nunca tenha sido encontrado, as investigações apontaram que ela foi assassinada.
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Imagens, cedidas à CNN Brasil pela LeoDias TV, mostram detalhes do documento como foto, filiação, data de nascimento e nome completo de Eliza • Crédito: LeoDias TV
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Eliza Samudio, atriz e modelo paranaense, desapareceu em 4 de junho de 2010, após comunicar alguns amigos que realizaria uma viagem • Reprodução
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Desde então, a jovem, de 25 anos na época, nunca mais foi vista • Reprodução
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Eliza foi considerada morta após suspeitos assumirem o assassinato • Reprodução
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A atriz e Bruno Fernandes de Souza, conhecido como “goleiro Bruno”, tinham um relacionamento extraconjugal • Reprodução
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A atriz engravidou do goleiro e tornou pública a gestação e a paternidade de Bruno, em 2009
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A história amplamente divulgada, apresenta o crime como uma trama planejada pelo ex-goleiro. Ele foi condenado a 20 anos de prisão pelo crime, embora nunca tenha confessado que premeditou a morte de Eliza Samudio • Reprodução
Na época, Bruno era goleiro titular do Flamengo e vivia o auge da carreira. Eliza afirmava que mantinha um relacionamento extraconjugal com o atleta e tornou pública a gravidez do filho dos dois em 2009.
Segundo as investigações, o goleiro se recusava a reconhecer a paternidade da criança. O filho nasceu em fevereiro de 2010 e, meses depois, Eliza desapareceu.
Durante as diligências, a polícia encontrou roupas e fraldas infantis em um sítio ligado ao ex-jogador, em Minas Gerais. O bebê foi localizado posteriormente na periferia de Belo Horizonte.
O Ministério Público sustentou que o crime foi planejado. Bruno acabou condenado a 20 anos e 9 meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado. O ex-goleiro sempre negou ter planejado a morte de Eliza.

