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Alta dos insumos e juros altos impactam setor da construção

Alta dos insumos e juros altos impactam setor da construção

A alta nos insumos da construção civil está afetando seriamente o setor, com um cenário incerto devido ao conflito no Oriente Médio e aos juros elevados, reduzindo as expectativas de crescimento para este ano, conforme a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) divulgou nesta quinta-feira (7).

No primeiro trimestre de 2026, o índice do preço médio dos insumos da construção alcançou 68,4 pontos, o maior nível desde o segundo trimestre de 2022. O aumento significativo dos materiais decorre da volatilidade nos preços dos combustíveis e derivados de petróleo, impulsionados pela guerra no Oriente Médio.

“O custo do frete é um dos itens que pode justificar esse aumento. Mas não é apenas o frete do material até o canteiro; toda a cadeia de produção e transporte das matérias-primas está envolvida. Além disso, todos os insumos que contêm derivados de petróleo, como tubos, conexões e tintas, apresentam maior sensibilidade ao aumento dos preços do barril”, comentou a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, durante a apresentação do panorama do setor e as perspectivas para o ano.

Com o fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de petróleo no mundo, as consequências se espalham por vários setores da economia e estão sendo refletidas em índices oficiais.

Em abril de 2026, o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-M) registrou um aumento de 1,4%, a maior elevação desde junho de 2022.

Aumento dos custos dos insumos

Diante da alta dos custos, a produção e as vendas de insumos típicos da construção tiveram uma retração no primeiro bimestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2025. A CBIC reportou uma queda de 5,5% no volume de vendas e de 6,9% na produção de insumos em relação ao ano passado.

“Os altos juros e a escassez de mão de obra, além de seu custo, são fatores que justificam esses dados, especialmente devido ao adiamento de pequenas obras e reformas”, explicou o presidente da CBIC, Renato Correia.

Entre os preços, o custo da mão de obra (8,82%) apresentou a maior alta nos últimos 12 meses encerrados em março deste ano, superando a inflação oficial (4,14%).

Contratações no setor

Nos primeiros três meses de 2026, o setor de construção civil criou quase 19% mais empregos formais em relação ao mesmo período de 2025, destacando-se na construção de edifícios (23%) e em obras de infraestrutura (42,41%).

O setor foi responsável por um em cada cinco novos empregos formais no Brasil entre janeiro e março, totalizando mais de 3 milhões de trabalhadores, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego.

Em março, a construção civil registrou o maior salário médio de admissão entre todos os segmentos laborais, com um pagamento de R$ 2.551,69, superando até mesmo a administração pública, tradicionalmente a mais bem remunerada.

O número de novas contratações no primeiro trimestre de 2026 foi o maior registrado desde o início da nova série do Caged, em 2020.

Segundo estimativa da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), os investimentos no setor podem alcançar R$ 300 bilhões.

São Paulo permanece como o maior gerador de empregos na construção civil, com 34.609 novas contratações, seguido por Minas Gerais (10.481) e Santa Catarina (9.620). Entre as cidades, destacam-se a capital paulista (15.642), Rio de Janeiro (4.121) e Curitiba (3.025).

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