O tema da distribuição de royalties do petróleo tomou conta das pautas políticas e jurídicos do Brasil, especialmente no Amapá. O governador Clécio Luís (Solidariedade) fez declaração em defesa da inconstitucionalidade da Lei 12.734/2012, conhecida como a Lei da Partilha, em uma entrevista à CNN. A questão está sendo julgada no Supremo Tribunal Federal (STF) e pode ter impactos significativos para estados que dependem dos royalties, como o Amapá.
A legislação de 2012 trouxe mudanças profundas na forma como os recursos provenientes da exploração do petróleo são divididos entre os estados produtores e não produtores. Segundo a proposta original, estados como o Rio de Janeiro e Espírito Santo, com produção significativa, veriam sua parcela de royalties reduzir, enquanto estados sem grande produção, como o Amapá, passariam a receber uma fatia maior dos recursos.
Atualmente, a Lei permanece suspensa desde sua aprovação, e a decisão do STF sobre esse tema pode reverter ou manter essa situação. É um momento crítico para o Amapá, que embora tenha uma baixa produção de petróleo, sustenta expectativas de ampliação desse cenário com a exploração da Margem Equatorial.
Justificativas do Governador
Clécio Luís argumenta que a distribuição dos royalties do petróleo deveria seguir a mesma lógica que já é aplicada na extração mineral. Ele defende que os royalties são uma compensação justa para estados e municípios que atuam na extração de recursos naturais. “Essa lei é muito injusta”, disse. O governador enfatiza que, enquanto o Amapá ainda espera por medidas compensatórias que foram prometidas em décadas passadas, legislações que poderiam ajudar o estado estão sendo questionadas.
Além disso, Clécio Luís lembrou que as promessas de compensação nunca se concretizaram, afetando a população local. Ele está determinado a lutar pela manutenção desses recursos e critica a proposta que pretende reduzir a compensação para os estados que realmente produzem petróleo.
Procuradores do estado já estão presentes no julgamento no STF, buscando defender os interesses do Amapá. Essa mobilização é crucial, uma vez que a decisão poderá afetar diretamente a economia local e o futuro dos recursos estaduais.
Fundo Soberano e Desenvolvimento
O governador também pontuou que, caso a partilha de royalties continue a favorecer os estados produtores, o Amapá poderá constituir um Fundo Soberano. Essa iniciativa é inspirada no modelo existente na Noruega e visa garantir que os recursos obtidos com a exploração do petróleo sejam administrados de forma a beneficiar as futuras gerações.
O objetivo do Fundo Soberano seria acumular recursos não apenas durante o período de exploração da Margem Equatorial, que pode durar até 50 anos, mas também para financiar iniciativas em diversas áreas, como infraestrutura, preservação ambiental e apoio a comunidades indígenas. Um grupo de consultorias está estudando as melhores formas de aplicar esses recursos para maximizar seu impacto social e ambiental.
Parte dessa análise inclui verificar qual percentual dos recursos poderia ser alocado para a manutenção de indicadores socioambientais e a implementação de infraestrutura necessária para o estado. Com essas medidas, a intenção é garantir que os benefícios da exploração do petróleo alcancem efetivamente as comunidades locais.
Expectativas Futuras
Clécio Luís possui um conhecimento notável sobre os trabalhos de exploração que estão sendo realizados no Amapá, devido à sua formação como geógrafo. Ele revelou que a perfuração já atingiu profundidades consideráveis, cerca de 3 mil metros, e as análises geológicas sugerem a possibilidade de significativas reservas de petróleo, similares às encontradas na Venezuela.
As perspectivas de encontrar petróleo a profundidades ainda maiores, por volta de 5 mil metros, geram expectativas otimistas para o futuro econômico do estado. Contudo, o governador ressalta a importância de uma abordagem equilibrada, que assegura que os direitos dos cidadãos sejam respeitados e que as compensações adequadas sejam sempre priorizadas.
Essas discussões e decisões que estão sendo tomadas no STF, junto ao movimento do Amapá por uma legislação mais justa, podem definir não apenas o futuro da economia do estado, mas também o bem-estar da sua população nos próximos anos.

