Uma mulher, vítima de um dos transplantes realizados com órgãos contaminados com HIV em 2024, morreu após um ano e cinco meses de internação em uma unidade especializada no Rio de Janeiro. A paciente faleceu no dia 18 de março deste ano, conforme informado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ). Durante o período, ela recebeu assistência total e era monitorada diariamente pela equipe multidisciplinar da secretaria.
A SES-RJ também declarou que a paciente foi indenizada pelo Governo do Estado em julho do ano anterior. Leia a nota completa:
“A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) lamenta profundamente o falecimento da paciente, que ocorreu em 18/03, após internação em unidade especializada. Há um ano e cinco meses, ela vinha recebendo total assistência e era monitorada diariamente pela equipe multidisciplinar da Secretaria, que se solidariza com a família. Em julho do ano passado, a paciente foi indenizada pelo Governo do Estado.”
A SES-RJ reforça que seguirá oferecendo suporte psicológico aos familiares.”
Investigações sobre órgãos contaminados
Em 11 de novembro de 2024, a SES-RJ deu início a uma investigação após a infecção de pacientes com HIV que passaram por transplantes no estado. De acordo com informações, seis pessoas contraíram a doença após os procedimentos. Erros cometidos em exames sanguíneos realizados por dois doadores resultaram em falsos negativos, permitindo a doação de órgãos contaminados.
O laboratório PCS Lab Saleme, responsável pelos testes, teve sua sede identificada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciou seis indivíduos por erros nos testes, acusando-os de associação criminosa e lesão corporal grave, além de falsidade ideológica. A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na sede do laboratório e na residência dos envolvidos.
Desdobramentos legais e compensações
A primeira audiência sobre o caso ocorreu em fevereiro de 2025, onde foram ouvidas três vítimas e cinco testemunhas. Durante a audiência de instrução e julgamento em abril, foram convocadas 11 testemunhas de acusação e 17 de defesa, além dos seis réus. Em agosto do ano passado, um acordo garantiu indenização às vítimas de transplantes realizados na rede pública, prevendo compensações financeiras e apoio contínuo.
O laboratório PCS Lab, responsável pelos testes, tinha um contrato com a SES-RJ no valor de aproximadamente R$ 11 milhões, estabelecendo a realização de exames clínicos, incluindo testes de HIV. No entanto, o contrato foi suspenso após a descoberta do caso.
*Sob supervisão de Thiago Félix

