Desde 2022, a tarifa de energia da usina de Itaipu afetou profundamente os consumidores brasileiros, resultando em um valor significativo pago a mais. Os moradores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste enfrentaram um gasto adicional de R$ 18,3 bilhões devido à mudança nas regras de definição de tarifas, optando por negociações em vez das diretrizes estabelecidas pelo Tratado da usina.
Com essa nova política tarifária, o impacto financeiro se intensificou em 2026. Nos primeiros dois meses do ano, os brasileiros pagaram quase três vezes mais do que o previsto para a energia gerada. Dados revelam que o Brasil, responsável por 76% do Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade (Cuse), recebeu apenas 58% da energia produzida nesse período, enquanto o Paraguai consumiu 42% da eletricidade, mas contribuiu com apenas 24% dos custos.
No início de 2026, consumidores brasileiros pagaram aproximadamente US$ 50,12 por megawatt-hora (MWh), em comparação com a estimativa de US$ 17,82 por MWh caso as tarifas originais fossem aplicadas, resultando em um custo adicional de US$ 228 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão) para os brasileiros.
Impacto da nova política tarifária
As mudanças nas tarifas de Itaipu têm raízes em decisões tomadas entre 2022 e 2024, levando a uma postura de negociação em vez de seguir os critérios do Tratado e do Anexo C. Especialistas e consultorias legislativas divergiram, apontando que as autoridades da usina não tinham a competência para negociar essas tarifas, devendo apenas aplicar os critérios previamente definidos.
Energia consumida sem pagamento adequado
Um aspecto alarmante dessa mudança é que pelo menos 2,89 milhões de MWh de energia, paga por consumidores brasileiros, foram consumidos pelo Paraguai. Isso representa um volume equivalente ao consumo de duas grandes cidades. Essa distorção é atribuída a um “acordo operativo” estabelecido em 2024, permitindo que a Ande, a estatal paraguaia, utilize energia de Itaipu que não foi paga pelos seus consumidores.
Consequências para os brasileiros
Essa situação gera frustração em relação ao que muitos consumidores esperavam: uma tarifa mais justa para a energia que ajudou a construir a infraestrutura da usina. Há alegações de que parte da energia adicional consumida pelo Paraguai está sendo destinada a atividades como mineração de criptomoedas e data centers, o que levanta questões sobre a equidade dessa distribuição. A ausência de uma posição clara por parte de Itaipu e dos responsáveis governamentais sobre esse processo afeta ainda mais os usuários. Essa administração tem sido vista como prejudicial aos brasileiros que sustentaram os investimentos feitos na usina ao longo de vários anos.




