Política

Família recebe objetos de Tenório Júnior após 50 anos na Argentina

Família recebe objetos de Tenório Júnior após 50 anos na Argentina

No contexto do aniversário de 50 anos do golpe militar na Argentina, a história do pianista brasileiro Tenório Jr. ganha destaque. Sua família vivencia um reencontro simbólico, marcado pela entrega de objetos pessoais recuperados após seu desaparecimento em março de 1976.

Nesta quarta-feira (25), os filhos Francisco, Elisa e Margarida, junto com os netos, participarão de uma cerimônia no Rio de Janeiro. Eles receberão itens que pertenciam ao músico, encontrados em território argentino. Vale lembrar que outros dois dos filhos de Tenório Jr., João Paulo e Leonardo, já faleceram. O corpo do pianista foi finalmente identificado na Argentina em setembro do ano passado, após mais de quatro décadas de incerteza.

Tenório Jr., uma lenda do samba-jazz, colaborou com muitos ícones da música brasileira, incluindo Milton Nascimento e Gal Costa. Sua trajetória foi abruptamente interrompida durante uma turnê na Argentina, quando, em busca de um lanche, foi preso pela repressão. Sua morte se tornou emblemática da Operação Condor, que envolveu várias ditaduras militares na América Latina.

Entrega de Pertences e Memória Familiar

Francisco Tenório Neto, que tinha apenas 7 anos quando seu pai desapareceu, expressa o desejo de que a família receba um pedido de desculpas e reparação. Para ele, a entrega dos pertences é mais que simbólica; é uma ligação com a memória de seu pai. “É importante ter essas últimas peças. Elas representam uma lembrança e um vínculo com o que meu pai vivia naquele momento”, comenta.

A cerimônia, que ocorrerá no Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, resulta da identificação do corpo de Tenório Jr. pelo trabalho da Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF). O brilhante pianista foi morto em um evento trágico da história, dois dias antes do golpe militar na Argentina.

Relações com a História da Repressão

A experiência de Tenório Jr. é uma das muitas que marcam famílias brasileiras afetadas pela repressão militar. Como a história do deputado Rubens Paiva, desaparecido em 1971, há paralelos que ressoam através do tempo. Carmen, esposa de Tenório Jr., enfrentou sozinha a árdua tarefa de criar cinco filhos após a brutalidade que envolveu a perda do marido, ainda estando grávida de seu quinto filho na época.

O evento no Rio terá a participação de diversas entidades dedicadas à luta por justiça e memória. Espera-se que o ato sirva para reforçar a importância de lembrar e discutir as atrocidades cometidas durante a ditadura, mantendo viva a busca por dignidade e reconhecimento.

Ruas e escolas: nomes ligados à ditadura geram controvérsia 60 anos após golpe