A defesa do major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira negou nesta terça-feira (24) sua participação no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes durante o julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal). A frase-chave deste caso é “defesa do major Ronald”, que traz à tona os desdobramentos jurídicos em torno dessa tragédia que chocou o Brasil.
Argumentos da defesa
Durante a sessão, o advogado de Ronald destacou que as acusações são fundamentadas apenas na palavra de Ronnie Lessa, o delator do caso, com quem Ronald teria um histórico de inimizade. Ele enfatizou que os dois não tinham qualquer proximidade, e que a relação de antagonismo entre eles impede a possibilidade de conluio para cometer um crime tão grave.
Questionando a credibilidade da delação
O advogado levantou questões sobre a credibilidade da delação premiada de Lessa. “Qual lógica de atribuir a palavra de um inimigo impondo um crime a outro e levar isso como uma verdade inabalável?”, questionou, argumentando que Lessa teria razões para mentir sobre Ronald.
A defesa enfatizou que o processo se baseia em relatos indiretos e que a apuração foi feita por meio de “ouvir dizer”, o que não é sólido o suficiente para uma condenação. “Esse tipo de construção não cabe em um juízo de condenação”, afirmou o advogado.
Relações e influências
Além disso, o advogado refutou a acusação de que Ronald teria qualquer ligação com Laerte Silva de Lima, o infiltrado no Psol que supostamente levantou dados sobre Marielle. Segundo a defesa, eles se conheciam apenas devido a um processo anterior e não por razões relacionadas ao caso da vereadora.
O julgamento dos cinco acusados de mandarem matar Marielle e Anderson Gomes começou nesta terça-feira, oito anos após o crime. A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu a condenação dos envolvidos, que incluem figuras influentes como o ex-deputado federal Chiquinho Brazão e o ex-assessor Robson Calixto Fonseca, conhecidos como “Peixe”. Esse caso continua a revelar complexidades e a importância da análise cuidadosa das evidências apresentadas no tribunal.
